FREQUÊNCIA CARDÍACA MÁXIMA: O QUE É E PARA QUE SERVE

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Para a Cardiologia, a frequência cardíaca é um marcador linear do consumo de oxigênio (O²) do músculo cardíaco. Ou seja, quanto maior a frequência cardíaca, maior o consumo de O² pelo coração. Assim, podemos estimar o grau de sobrecarga e avaliar doenças que estariam relacionadas ou apareceriam com o aumento da necessidade de O² pelo coração.

Para a Medicina do Esporte, a frequência cardíaca tem interpretação muito mais ampla: relaciona-se ao consumo de oxigênio (O²) do organismo, ou seja, leva-se também em conta a massa muscular periférica.

Na fisiologia celular muscular, a energia é produzida por metabolismo que necessita do uso de O² (aeróbico) e, a partir de determinado grau de esforço, sem dependência de O² (anaeróbico), com produção de lactato. Esse ácido lático é tamponado e lavado do organismo por mecanismos específicos.

Na prática clínica, estabelece-se a frequência cardíaca relacionada ao fim do metabolismo aeróbico exclusivo (Limiar 1: início do metabolismo misto, aeróbico e anaeróbico, com produção de lactato) e a frequência cardíaca relacionada à exaustão dos sistemas tampões (Limiar 2: a produção de lactato supera a sua lavagem). Esse segundo ponto geralmente chamamos de frequência cardíaca máxima porque geralmente está relacionado à fadiga e iminente interrupção do esforço, manifestações do acúmulo indevido do lactato e perda de equilíbrio do sistema metabólico.

A melhor forma de medir tais valores da frequência cardíaca é através do teste ergoexpirométrico. Entretanto, há fórmulas matemáticas que pretendem aproximar-se, com maior ou menor precisão, desses valores considerando idade e gênero do indivíduo.

Então, na avaliação cardiológica, verificamos a saúde em repouso e em resposta ao esforço até a frequência cardíaca máxima. Isso não quer dizer que passar da frequência cardíaca significa risco imediato ao coração… Bem, qual é o risco de passar da frequência cardíaca máxima? Para o coração sadio, desprezível. O risco cardíaco é proporcional ao grau de esforço, contudo, no coração sadio, avaliado e “conhecido”. Pondera-se apenas que a avaliação cardiológica é feita até a frequência cardíaca considerada e infere-se que o coração aguentaria o esforço que o leva a ultrapassá-la. Por quê? Porque não se deve ultrapassá-la por muito tempo, dados outros riscos.

O trabalho acima da frequência cardíaca máxima traz desequilíbrio metabólico e transtornos lesivos (acidose, acúmulo de escórias celulares, etc.) a todo o organismo. Detalhes: 1. o sistema muscular é mais frágil que o sistema cardiovascular – sofre primeiro, fadiga primeiro, lesiona primeiro (não mata, contudo tem-se muito mais lesões osteomusculares que cardíacas no esporte); 2. o rendimento do atleta geralmente é muito mais relacionado ao condicionamento periférico que cardíaco. Quando um esportista apresentar condição cardíaca limitante, essa será preponderante e toda a sua programação deve adequar-se às orientações do Cardiologista.

Assim, podemos descrever no dia-a-dia:

A frequência cardíaca é parâmetro cardiológico fácil, barato e confiável do grau de esforço e sobrecarga que é imposta ao organismo. Os limiares (L1 e L2) são parâmetros metabólicos com relação direta com a frequência cardíaca, utilizados para a programação física. A frequência cardíaca máxima nos traz um parâmetro de frágil ponto de equilíbrio metabólico, que pode e deve ser utilizada para melhorar o condicionamento, sob supervisão e orientação adequadas.

De forma geral, a frequência cardíaca deve ser utilizada como indicador de esforço cardíaco e muscular, podendo ser inclusive utilizado como proteção para lesões ortopédicas em exercícios de carga não mensurável (corrida, p.ex.).

A utilização da frequência cardíaca é importante para todas as fases do treinamento, não devendo ser subestimada no treino regenerativo, por exemplo, frente aos treinos de condicionamento em tiros. Em bom português, aceite que sua frequência cardíaca vai ultrapassar a frequência cardíaca máxima nos treinos intervalados e preste muita atenção na frequência cardíaca estabelecida para os treinos regenerativos. Seu treinador agradece a confiança.

Marcos Barros - Cardiologia 

O Dr. Marcos Barros, doutor em Cardiologia pela USP, se dedica ao estudo da aterosclerose, desenvolve projetos de pesquisa e faz clínica na prevenção e tratamento das suas complicações. Associado ao Departamento de Aterosclerose da Sociedade Brasileira de Cardiologia, ele trabalha no Hospital Aliança e está agora também na BIOS Saúde.

 
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